Seus planetas

Tudo que vem de ti é lindo, me arregala os olhos.
Suas palavras me tocam
suas mãos me atraem
seus olhos sugam minha órbita .
Estremecem meu universo.

Brinco de serenata,
faço pegadinhas sobre nós dois;
mas enquanto a mente atrasa facilmente,
o coração anda em descompasso.
Enquanto eu rimo, você canta
enquanto eu pulo alto, você flutua  de paixão.
Enquanto eu me enganava em  poesias,
a tua continuava rimando mais forte.

Minha órbita
é de amor gentil.
Meu planeta
se encanta ao ver sua alma
– tão colorida –
simplesmente feliz.

A medida do amor

O amor, quando se mede,
Não se tens real referência.
Sabe que gosta dela,
Mas palavras não lhe saem pela cabeça.
Escreve uma prosa, rascunha um caderno
Mas na hora da revelação se cala,
Torna-se menino quieto.
Ah, se ela conseguisse adivinhar,
Sentir o calor do olhar,
E se somente o olhar bastasse,
Saberia que estou a amar.

Na ponta do lápis eu encontraria mais cor
E minhas prosas seriam muito mais belas.
Aos deuses eu louvaria com fervor,
só pediria em troca o sorriso dela.

De tantos e tantos mares

De tantas marés e histórias diferentes que passei.
De tantos contos que vigários e pescadores me introduziram:
O seu é o que me soa mais triste, o que me soa mais trágico.

Já ouvi o murmurio calado de uma criança que chora.
Já escutei a reza triste daquele que perdera tudo por culpa própria.
Já presenciei atrocidades, barbaridades, crianças mortas;
O silencio daqueles inocentes que anseiam por dizer.
Mas, de longe, teu silêncio é o que mais me entristece.
Me fez trocar crescimento pela prece,
conhecimento por um alto preço,
borboletas por mariposa,
ao ponto por cru.
Teu silêncio fez um revés na maré do meu coração.
Fez mudança na minha direção.
Deixou que cicatrizes
criassem raízes
por falta de irrigação.

Me causa tontura ao ver:
Menina cuja bravura a muito se esconde.
Tens medo de perceber razão ou rachaduras em seu coração?
de encontrar na oração água doce ou carvão?

Caem as frutas podres

Você passava pelas mesmas ruas, decorava os mesmos caminhos, secava as mesmas lágrimas.
Respirava aliviado quando não encontrava suas falhas tão humanas e simplistas que julgava não lhe pertencer.
Como pude chegar a este ponto? – perguntava a si mesmo.
Se acostumou com a ausência dela e com a própria falta de sinceridade.
Fez um monte de cagada antes de notar o que realmente lhe apetecia e tentou voltar – ah como tentou voltar – mas já era tarde e as luzes do show já haviam, por muito que sinto, apagado em amadurecimento e lagrimas.

A Arvore-menina que floresceu amor e encanto, se tornou seca e ríspida.

– A arvore-menina morreu, a arvore-menina morreu! – cantavam os abutres oportunistas.

Nascera outra Arvore-Mulher no lugar e, esta por sua vez, era madura e alta demais para aprisionar em muros de sentimentos cinza.

Que pena, menino-homem, uma pena.

Inicio de um diálogo

Eu estava parado.
Tentando decifrar em meio as nossas fotografias, lembranças do que falhou.
Você sentada olhando diretamente pra mim, trajando um vestido que seria um ultraje se não modelasse seu corpo suavemente.
Tão delicada e tão forte. Tão confusa e tão decidida. Era o suficiente para me manter aquecido.

Meu pensamento, sempre tão geométrico, conseguia manter suas linhas sobrepostas em mim: as curvas do seu corpo, a linha tênue do seu olhar.
Estranhamente era a única matemática que eu me interessei.

Desmentindo uma despedida

Se houvesse, apenas, uma outra maneira de seguir.
Transformar meu pesar em simpatia e as flores em ervas daninhas:
Eu com certeza o escolheria.
Prometera que jamais a machucaria:
De cravos faria lírios, pomares se azedaram.
De cantigas faria música, mas a surdez se instalara.
Do toque se faria seda, mas a pele endurecera.
Ai do coração que não se cansa.
Da ferida se fez a ultima, do gingado se fez ultimo.
Estou farto de não chegar em primeiro lugar.

Carta para criança

Meu caro amigo

Repare bem no jeito que ela te olha quando caminham juntos.
Repare no cabelo de prancha, nas unhas recém pintadas , no sorriso borrado de batom.
Repare na frase não dita, no sorriso cinza, no choro calado.

Pois você terá medo de perde-la, pequeno.
Terá receio da companhia perdida, do beijo roubado, do casaco de sempre.
Terá medo de não serem mais os mesmos devido a erros dos dois.
Terá medo sim! Você não é tão duro quanto pensa, nem tão áspero.
Você se importa sim se ela irá ligar, se te desejou boa noite, se estão de bem.
Você se importa com ela porque tem os mesmos jeitos, são gêmeos de alma e sentimento.

Pensas que não, mas já está em construção.
O edifício que te formarás no peito ao assumir teus sentimentos e desejos.
Aprenderá que errar na verdade é superior a acertar na mentira.
Que o relacionamento não se faz só de bem querer e de prosas de amor.

Ainda há muito o que crescer, pequeno eu.
Daqui a uns anos estará melhor e recuperado.
E quem sabe, por fim, encontrará o amor da sua vida
como eu encontrei

Poesia do querer

zzumbi

Te liguei de madrugada mas só chamou. Vai ficar por mensagem mesmo, o que queria lhe falar:

Aquele nosso ultimo encontro, que parece anos que aconteceu, realmente mexeu comigo. Se não tivesse mexido, eu não estaria aqui pra te dar satisfação. Pra te falar porque eu não me dirijo mais a você.
Tentei achar versos, tentei te achar nas frestas da porta do bar mas onde você passou não deixou marcas, só lembranças. Não deixou poesia, só uma prosa triste.
Ah mas eu sei que você não queria assim; sei bem. Já me disse algumas vezes. Mas que diferença faz se o resultado é o mesmo: uma porta fechada e eu aqui fora, esperando na chuva.

Talvez seja por isso que o poeta te quer.
Porquê foi com você que ele cresceu como escritor. Escrevendo como menino, escreveu versos sinceros por amor. Mas você tem sono pesado, não atende de madrugada. Nem, tampouco, entende os papos loucos dele.

Eu quis você.
Quis porque você entendeu que a poesia não era só uma escrita e , sim, uma forma de ver a vida; Uma forma de olhar pro céu.

Foda ainda haver esperança em mim. Porque nós nunca somos ponto final, somos ponto e vírgula. Somos carrascos de nós mesmos. Não nos entregamos mas também não deixamos ir.
Será que o destino será cruel a esse ponto?
Fará eu ter que dar esse passo pro abismo que é sentir sua falta?

Pois é.
Uma pena amor de poeta ser paixão que não dorme cedo. Ser amor e dor que vira livro. E livro, minha querida, dura mais do que qualquer palavra entoada. Muito mais que canetas. Mais que o próprio poeta.

Amor é primavera no outono do poeta.

Um, mas não só.

-Amar não é suportar tudo. Aguentar qualquer coisa.
Não é porque você ama que o amor se faz sozinho.
Não é porque você conquistou quem desejava que deve relaxar.”

Amar é conquista; anseio pelo calor do próximo.
São dois planetas diferentes se encontrando com suas singularidades: gravidade e vivências diferentes.
Opostos, semelhantes e atraídos ao mesmo tempo.
São luz e sombra se encontrando e desencontrando.
Não terá direito a se isolar, a se afastar sem nem porquê.
Não terá direito a postergar inquéritos, ou dúvidas.

Não ouse começar um relacionamento se pretende se isolar.
Não ouse dividir o tempo, o quarto, o abajur.
Quando voltar dos compromissos, a vida pessoal começa do zero.
Não temos que tolerar o desaparecimento, a anulação, a desistência pelas mensagens.
A gente quer sentir, entender, perceber.

Por mais absurdo que soe, quem ama sempre terá dois turnos de trabalho.
Amar é mais grave que qualquer profissão. Muito mais complexo.
E não há aposentadoria.

Ad quaesitum

Soube que podia ficar quando o calor dos seus lábios me trouxeram nostalgia de um tempo que eu era meu.

Tive que medir, de tempos em tempos, qual é a distância entre o sentimento. Temos o constante inquérito pessoal no quesito relacionamentos. Abrimos mão,  liberamos,  sentimos, levamos a sério aquele sentimento que se tornou realidade no momento.

Com você aprendi a lição de que nada vale mais do que amar sendo você mesmo, independente do momento.
Com você aprendi que sentir não é um pesar, mas sim, um privilégio
Não tenho que medir esforços para te encontrar.
Não tenho que medir a distancia das palavras.
Não tenho que medir pra caber em ti inteiro.
Eu sou inteiro, tu és também e, assim, na nossa eterna completude: estamos conectados e juntos. “Ao infinito e além”